Margem e preço

Como precificar kits e combos no marketplace sem perder margem

Por Felipe Santos · 17 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Kits e combos são uma das ferramentas mais eficientes para aumentar o valor de cada pedido. Dois ou três produtos saem em uma só embalagem, com um só frete e uma só separação. Quando a conta está certa, o lucro por pedido sobe bem mais do que o desconto oferecido ao cliente. Quando está errada, o kit vende muito e não deixa nada.

Por que o kit pode ser mais lucrativo

Parte dos custos de uma venda não cresce com a quantidade de itens: a taxa fixa por anúncio (quando existe), boa parte do frete, a embalagem e o tempo de separação e despacho. Em um kit, esses custos são pagos uma vez só e divididos entre vários produtos.

Já os custos percentuais, como comissão e imposto, continuam incidindo sobre o preço total. Por isso o ganho do kit vem quase todo dos custos fixos por pedido.

A conta passo a passo

Imagine um produto que custa R$ 18 e é vendido sozinho por R$ 59,90. Valores ilustrativos de uma venda unitária:

ItemVenda unitáriaKit com 3 unidades
PreçoR$ 59,90R$ 159,90
Custo dos produtosR$ 18,00R$ 54,00
Comissão + imposto (20%)R$ 11,98R$ 31,98
Frete pago pelo vendedorR$ 15,00R$ 18,00
EmbalagemR$ 1,80R$ 2,40
Custo operacionalR$ 3,00R$ 3,50
LucroR$ 10,12 (16,9%)R$ 50,02 (31,3%)

O cliente paga cerca de 11% a menos por unidade no kit. Mesmo assim, o lucro por pedido quase quintuplica, porque frete, embalagem e operação quase não crescem. Repare que o frete subiu um pouco: o kit é mais pesado. Esse é o ponto a conferir em cada caso.

Faça a simulação com seus números na calculadora de margem, usando a soma dos custos dos itens como custo do produto.

Como definir o desconto

  1. Calcule o lucro de vender as unidades separadamente.
  2. Calcule a economia de custos fixos ao enviar tudo junto (frete, embalagem, operação, taxas fixas).
  3. Ofereça como desconto parte dessa economia, nunca mais que ela. Assim o kit sempre dá pelo menos o mesmo lucro que as vendas separadas.

Também vale lembrar que nem todo kit precisa de desconto. Kits que resolvem uma necessidade completa (o produto e o acessório que ele exige, por exemplo) vendem pela conveniência.

Tipos de kit que funcionam

  • Mesmo produto em quantidade: itens de consumo e reposição, como filtros, refis e descartáveis.
  • Produto principal + complemento: o item e o acessório que quase todo mundo compra junto.
  • Kit para ocasião: combinação montada para um uso específico, como presente ou início de uso.

Os dados de pedidos com mais de um item ajudam a descobrir os pares naturais: quais produtos os clientes já compram juntos sem incentivo.

Cuidados com o estoque

O kit precisa existir no sistema de forma que, ao ser vendido, dê baixa nos componentes. Se o kit for cadastrado como um produto independente, com estoque próprio, o saldo dos itens avulsos fica errado e a loja corre o risco de vender o que não tem.

  • Cadastre o kit como produto composto no ERP, ligado aos componentes.
  • Se os kits forem montados com antecedência (pré-embalados), registre a montagem como uma movimentação: sai componente, entra kit. O mesmo vale para desmontar.
  • Considere o kit ao calcular o ponto de pedido dos componentes: a demanda deles é a venda avulsa somada à venda em kit.

Cuidados com o frete e a embalagem

Kits mudam o peso e as medidas da caixa. Cadastre as dimensões reais do kit embalado e verifique o peso cubado. Um kit que ultrapassa uma faixa de peso pode ter frete bem mais caro que o previsto e apagar o ganho.

Regra prática: o desconto do kit sai da economia de frete, embalagem e operação, não da margem do produto. Se não sobra economia, o kit não precisa de desconto, precisa de um bom motivo para existir.

Felipe Santos
Felipe Santos

Diretor de WMS na Play Full, onde cuida da operação logística de e-commerce: estoque, expedição, envios para fulfillment e integração entre marketplaces, ERP e armazém. Saiba mais · LinkedIn