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Curva ABC de estoque: como aplicar no e-commerce

Por Felipe Santos · 7 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Em quase toda loja, uma pequena parte dos produtos responde pela maior parte do faturamento. A curva ABC é a ferramenta que transforma essa intuição em uma lista objetiva: quais itens merecem atenção diária, quais podem ser acompanhados de longe e quais estão só ocupando prateleira.

O que é a curva ABC

A ideia vem do princípio de Pareto. Você ordena os produtos do mais importante para o menos importante, calcula quanto cada um representa do total e acumula esses percentuais. Depois divide a lista em três grupos:

  • Classe A: os itens que, somados, chegam a cerca de 80% do resultado. Normalmente são uma fração pequena do catálogo.
  • Classe B: os seguintes, até cerca de 95% acumulado.
  • Classe C: o restante. Muitos itens, pouco resultado.

Os cortes de 80% e 95% são uma convenção, não uma regra. Ajuste conforme o tamanho do seu catálogo.

Qual critério usar

A curva pode ser feita por diferentes medidas, e cada uma responde a uma pergunta:

  • Faturamento: quais produtos trazem receita. É o ponto de partida mais comum.
  • Margem de contribuição em reais: quais produtos trazem lucro. Costuma revelar campeões de venda que quase não deixam dinheiro.
  • Quantidade de pedidos ou unidades: quais itens movimentam mais a expedição. É a curva certa para organizar o armazém.

Vale montar pelo menos duas: uma por margem, para decisões de compra e preço, e uma por número de pedidos, para decisões de layout e operação.

Passo a passo na planilha

  1. Exporte do seu ERP as vendas dos últimos 90 dias por SKU, com quantidade e valor.
  2. Calcule o critério escolhido para cada SKU (por exemplo, faturamento = quantidade × preço médio).
  3. Ordene do maior para o menor.
  4. Em uma coluna nova, calcule o percentual de cada item sobre o total.
  5. Em outra coluna, some os percentuais de forma acumulada.
  6. Classifique: acumulado até 80% é A; até 95% é B; acima disso é C.
SKUFaturamento% do total% acumuladoClasse
Produto 1R$ 42.00042%42%A
Produto 2R$ 23.00023%65%A
Produto 3R$ 14.00014%79%A
Produto 4R$ 9.0009%88%B
Produto 5R$ 6.0006%94%B
Produtos 6 a 20R$ 6.0006%100%C

No exemplo, 3 produtos geram quase 80% do faturamento, enquanto 15 produtos somados respondem por apenas 6%.

O que fazer com cada classe

Classe A: nunca pode faltar

  • Estoque de segurança mais generoso e revisão de compra semanal. Use a calculadora de ponto de pedido nesses itens primeiro.
  • Inventário rotativo frequente: divergência em item A custa caro.
  • Fornecedor alternativo mapeado.
  • Prioridade em anúncios, fotos e no envio para fulfillment.

Classe B: acompanhamento regular

  • Revisão de compra quinzenal ou mensal.
  • Observe tendência: alguns itens B estão subindo para A e merecem investimento.

Classe C: questione

  • Compre em lotes menores ou sob demanda.
  • Avalie promoções e kits para girar o que está parado.
  • Descontinue o que não vende há meses e não complementa nenhum item A.

Curva ABC no armazém

Usando a curva por número de pedidos, coloque os itens A nas posições mais próximas da área de expedição e na altura entre a cintura e o ombro. Itens C podem ir para prateleiras altas ou fundos de corredor. Só essa reorganização costuma reduzir de forma visível o tempo de separação, assunto que detalhamos no artigo sobre picking e packing.

Com que frequência refazer

Refaça a curva todo mês ou a cada trimestre, e sempre depois de datas sazonais fortes. Produtos mudam de classe com lançamentos, concorrência e estação. Um sistema de gestão de armazém (WMS) costuma gerar essa classificação automaticamente.

Comece simples: uma planilha com 90 dias de vendas, ordenada por margem em reais, já mostra onde estão o dinheiro e o desperdício. A sofisticação pode vir depois.

Felipe Santos
Felipe Santos

Diretor de WMS na Play Full, onde cuida da operação logística de e-commerce: estoque, expedição, envios para fulfillment e integração entre marketplaces, ERP e armazém. Saiba mais · LinkedIn