Curva ABC de estoque: como aplicar no e-commerce
Em quase toda loja, uma pequena parte dos produtos responde pela maior parte do faturamento. A curva ABC é a ferramenta que transforma essa intuição em uma lista objetiva: quais itens merecem atenção diária, quais podem ser acompanhados de longe e quais estão só ocupando prateleira.
O que é a curva ABC
A ideia vem do princípio de Pareto. Você ordena os produtos do mais importante para o menos importante, calcula quanto cada um representa do total e acumula esses percentuais. Depois divide a lista em três grupos:
- Classe A: os itens que, somados, chegam a cerca de 80% do resultado. Normalmente são uma fração pequena do catálogo.
- Classe B: os seguintes, até cerca de 95% acumulado.
- Classe C: o restante. Muitos itens, pouco resultado.
Os cortes de 80% e 95% são uma convenção, não uma regra. Ajuste conforme o tamanho do seu catálogo.
Qual critério usar
A curva pode ser feita por diferentes medidas, e cada uma responde a uma pergunta:
- Faturamento: quais produtos trazem receita. É o ponto de partida mais comum.
- Margem de contribuição em reais: quais produtos trazem lucro. Costuma revelar campeões de venda que quase não deixam dinheiro.
- Quantidade de pedidos ou unidades: quais itens movimentam mais a expedição. É a curva certa para organizar o armazém.
Vale montar pelo menos duas: uma por margem, para decisões de compra e preço, e uma por número de pedidos, para decisões de layout e operação.
Passo a passo na planilha
- Exporte do seu ERP as vendas dos últimos 90 dias por SKU, com quantidade e valor.
- Calcule o critério escolhido para cada SKU (por exemplo, faturamento = quantidade × preço médio).
- Ordene do maior para o menor.
- Em uma coluna nova, calcule o percentual de cada item sobre o total.
- Em outra coluna, some os percentuais de forma acumulada.
- Classifique: acumulado até 80% é A; até 95% é B; acima disso é C.
| SKU | Faturamento | % do total | % acumulado | Classe |
|---|---|---|---|---|
| Produto 1 | R$ 42.000 | 42% | 42% | A |
| Produto 2 | R$ 23.000 | 23% | 65% | A |
| Produto 3 | R$ 14.000 | 14% | 79% | A |
| Produto 4 | R$ 9.000 | 9% | 88% | B |
| Produto 5 | R$ 6.000 | 6% | 94% | B |
| Produtos 6 a 20 | R$ 6.000 | 6% | 100% | C |
No exemplo, 3 produtos geram quase 80% do faturamento, enquanto 15 produtos somados respondem por apenas 6%.
O que fazer com cada classe
Classe A: nunca pode faltar
- Estoque de segurança mais generoso e revisão de compra semanal. Use a calculadora de ponto de pedido nesses itens primeiro.
- Inventário rotativo frequente: divergência em item A custa caro.
- Fornecedor alternativo mapeado.
- Prioridade em anúncios, fotos e no envio para fulfillment.
Classe B: acompanhamento regular
- Revisão de compra quinzenal ou mensal.
- Observe tendência: alguns itens B estão subindo para A e merecem investimento.
Classe C: questione
- Compre em lotes menores ou sob demanda.
- Avalie promoções e kits para girar o que está parado.
- Descontinue o que não vende há meses e não complementa nenhum item A.
Curva ABC no armazém
Usando a curva por número de pedidos, coloque os itens A nas posições mais próximas da área de expedição e na altura entre a cintura e o ombro. Itens C podem ir para prateleiras altas ou fundos de corredor. Só essa reorganização costuma reduzir de forma visível o tempo de separação, assunto que detalhamos no artigo sobre picking e packing.
Com que frequência refazer
Refaça a curva todo mês ou a cada trimestre, e sempre depois de datas sazonais fortes. Produtos mudam de classe com lançamentos, concorrência e estação. Um sistema de gestão de armazém (WMS) costuma gerar essa classificação automaticamente.
Comece simples: uma planilha com 90 dias de vendas, ordenada por margem em reais, já mostra onde estão o dinheiro e o desperdício. A sofisticação pode vir depois.