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Código de barras, EAN e SKU: como identificar produtos no estoque

Por Felipe Santos · 20 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Boa parte dos erros de um armazém de e-commerce não acontece por descuido de quem separa, e sim porque o produto não está bem identificado. Duas cores com o mesmo código de barras, um item sem etiqueta, um SKU diferente em cada marketplace: cada uma dessas situações transforma a conferência em adivinhação. Organizar a identificação dos produtos é um trabalho feito uma vez que reduz erros para sempre.

SKU e EAN não são a mesma coisa

SKUEAN / GTIN
O que éCódigo interno da sua empresaCódigo padronizado mundialmente
Quem defineVocêO fabricante, a partir de um registro na GS1
FormatoLivre (letras e números)Numérico, com tamanho e dígito verificador definidos
Para que serveControle interno, ERP, anúnciosIdentificar o produto em qualquer loja, marketplace ou leitor

O ideal é ter os dois: o SKU como identidade do produto nos seus sistemas e o EAN como o código lido no dia a dia do armazém. Os marketplaces frequentemente pedem o código GTIN no cadastro do anúncio, principalmente em categorias com produtos de marca.

Regras para um bom SKU

  • Único: um código para cada variação vendável. Camiseta azul P e azul M são SKUs diferentes.
  • Estável: não mude o código de um produto existente; isso quebra histórico de vendas e vínculos de anúncios.
  • Igual em todos os canais: o mesmo SKU no ERP, no armazém e em todos os marketplaces facilita integrações e reduz pedidos travados.
  • Legível: uma estrutura simples ajuda, por exemplo, família + modelo + cor + tamanho. Evite caracteres especiais e espaços.
  • Sem significado demais: não codifique informações que mudam, como preço ou fornecedor.

Quando o produto não tem EAN

Produtos artesanais, importados sem código, kits montados por você ou variações que o fabricante não diferenciou precisam de identificação própria. Nesses casos:

  1. Gere um código de barras interno a partir do SKU (o formato Code 128 aceita letras e números e é lido por qualquer leitor comum).
  2. Imprima etiquetas e aplique em cada unidade no recebimento, antes de guardar.
  3. Cadastre esse código no ERP e no WMS como código de leitura do produto.

Para vender com código próprio em canais que exigem GTIN, o caminho é registrar a empresa na GS1 Brasil e gerar códigos oficiais. Verifique as exigências de cada marketplace para a sua categoria.

Armadilhas comuns

Mesmo EAN para variações

Alguns fabricantes usam o mesmo código para todas as cores de um modelo. Na leitura, o sistema não distingue azul de vermelho, e o erro passa pela conferência. Solução: etiqueta interna por variação, cobrindo o código original.

Caixa master com o código da unidade

A caixa fechada com 12 unidades pode ter o mesmo código da unidade solta, ou um código próprio. Se a equipe lê a caixa achando que é uma unidade, a quantidade fica errada. Cadastre o código da caixa como embalagem de 12 unidades ou cubra-o.

Kits sem código próprio

Kits pré-montados precisam de SKU e código de barras próprios, além do vínculo com os componentes. Veja os cuidados no artigo sobre kits e combos.

Etiqueta ilegível

Etiquetas impressas com pouca tinta, amassadas ou em superfícies curvas falham na leitura e levam o operador a digitar o código. Teste a leitura em cada novo tipo de produto.

Endereços também têm código

A mesma lógica vale para as posições do armazém. Etiquetar cada prateleira com um código de endereço permite confirmar, por leitura, que o produto foi guardado ou retirado do lugar certo. É a base do endereçamento de estoque.

Auditoria rápida: separe os 30 produtos mais vendidos e leia o código de cada um com o leitor. Anote quais não leem, quais repetem código entre variações e quais têm SKU diferente entre canais. Essa lista é o seu plano de correção.

Felipe Santos
Felipe Santos

Diretor de WMS na Play Full, onde cuida da operação logística de e-commerce: estoque, expedição, envios para fulfillment e integração entre marketplaces, ERP e armazém. Saiba mais · LinkedIn