Código de barras, EAN e SKU: como identificar produtos no estoque
Boa parte dos erros de um armazém de e-commerce não acontece por descuido de quem separa, e sim porque o produto não está bem identificado. Duas cores com o mesmo código de barras, um item sem etiqueta, um SKU diferente em cada marketplace: cada uma dessas situações transforma a conferência em adivinhação. Organizar a identificação dos produtos é um trabalho feito uma vez que reduz erros para sempre.
SKU e EAN não são a mesma coisa
| SKU | EAN / GTIN | |
|---|---|---|
| O que é | Código interno da sua empresa | Código padronizado mundialmente |
| Quem define | Você | O fabricante, a partir de um registro na GS1 |
| Formato | Livre (letras e números) | Numérico, com tamanho e dígito verificador definidos |
| Para que serve | Controle interno, ERP, anúncios | Identificar o produto em qualquer loja, marketplace ou leitor |
O ideal é ter os dois: o SKU como identidade do produto nos seus sistemas e o EAN como o código lido no dia a dia do armazém. Os marketplaces frequentemente pedem o código GTIN no cadastro do anúncio, principalmente em categorias com produtos de marca.
Regras para um bom SKU
- Único: um código para cada variação vendável. Camiseta azul P e azul M são SKUs diferentes.
- Estável: não mude o código de um produto existente; isso quebra histórico de vendas e vínculos de anúncios.
- Igual em todos os canais: o mesmo SKU no ERP, no armazém e em todos os marketplaces facilita integrações e reduz pedidos travados.
- Legível: uma estrutura simples ajuda, por exemplo, família + modelo + cor + tamanho. Evite caracteres especiais e espaços.
- Sem significado demais: não codifique informações que mudam, como preço ou fornecedor.
Quando o produto não tem EAN
Produtos artesanais, importados sem código, kits montados por você ou variações que o fabricante não diferenciou precisam de identificação própria. Nesses casos:
- Gere um código de barras interno a partir do SKU (o formato Code 128 aceita letras e números e é lido por qualquer leitor comum).
- Imprima etiquetas e aplique em cada unidade no recebimento, antes de guardar.
- Cadastre esse código no ERP e no WMS como código de leitura do produto.
Para vender com código próprio em canais que exigem GTIN, o caminho é registrar a empresa na GS1 Brasil e gerar códigos oficiais. Verifique as exigências de cada marketplace para a sua categoria.
Armadilhas comuns
Mesmo EAN para variações
Alguns fabricantes usam o mesmo código para todas as cores de um modelo. Na leitura, o sistema não distingue azul de vermelho, e o erro passa pela conferência. Solução: etiqueta interna por variação, cobrindo o código original.
Caixa master com o código da unidade
A caixa fechada com 12 unidades pode ter o mesmo código da unidade solta, ou um código próprio. Se a equipe lê a caixa achando que é uma unidade, a quantidade fica errada. Cadastre o código da caixa como embalagem de 12 unidades ou cubra-o.
Kits sem código próprio
Kits pré-montados precisam de SKU e código de barras próprios, além do vínculo com os componentes. Veja os cuidados no artigo sobre kits e combos.
Etiqueta ilegível
Etiquetas impressas com pouca tinta, amassadas ou em superfícies curvas falham na leitura e levam o operador a digitar o código. Teste a leitura em cada novo tipo de produto.
Endereços também têm código
A mesma lógica vale para as posições do armazém. Etiquetar cada prateleira com um código de endereço permite confirmar, por leitura, que o produto foi guardado ou retirado do lugar certo. É a base do endereçamento de estoque.
Auditoria rápida: separe os 30 produtos mais vendidos e leia o código de cada um com o leitor. Anote quais não leem, quais repetem código entre variações e quais têm SKU diferente entre canais. Essa lista é o seu plano de correção.