Frete e envio

Frete grátis: quando vale a pena oferecer na loja online

Por Felipe Santos · 1 de novembro de 2026 · 7 min de leitura

Poucas coisas influenciam tanto a decisão de compra online quanto o valor do frete. Ver um frete alto na etapa final do carrinho é um dos motivos mais comuns de abandono da compra. Por isso o "frete grátis" funciona tão bem como argumento de venda. Mas o frete nunca é realmente grátis: ou o vendedor absorve, ou ele vai para o preço, ou o cliente precisa comprar mais para ganhar o benefício.

Nos marketplaces, as regras de frete costumam ser definidas pelo programa de cada plataforma. Este artigo trata principalmente da loja própria e dos canais em que você decide a política de frete.

As três formas de oferecer

1. Absorver o frete

O preço continua o mesmo e o vendedor paga o frete. É a opção mais atraente para o cliente e a mais cara para a loja. Funciona quando a margem é grande o suficiente para absorver o custo, ou como ação temporária.

2. Embutir o frete no preço

O preço sobe para cobrir o custo médio de frete e o cliente vê "frete grátis". Mantém a margem, mas deixa o preço menos competitivo na comparação direta com quem cobra frete separado.

3. Frete grátis acima de um valor mínimo

O benefício só vale para pedidos acima de um certo valor. Além de diluir o custo do frete em um pedido maior, incentiva o cliente a adicionar mais itens. É a forma mais comum e, em geral, a mais equilibrada.

Calculando o impacto

Considere um produto de R$ 89,90 que deixa R$ 25 de margem de contribuição sem frete, com um frete médio de R$ 18 e custos percentuais (comissão, taxa de pagamento, imposto) de 22% do preço. Valores ilustrativos.

OpçãoPreçoMargem por pedido
Cliente paga o freteR$ 89,90R$ 25,00
Absorver o freteR$ 89,90R$ 7,00
Embutir o frete no preçoR$ 112,98R$ 25,00

Absorver o frete reduz a margem em 72%. Para manter os mesmos R$ 25, o preço precisa subir R$ 23,08, e não só os R$ 18 do frete, porque os custos percentuais incidem também sobre o valor acrescentado:

Aumento de preço necessário = frete ÷ (1 − % custos sobre o preço)
R$ 18 ÷ (1 − 0,22) = R$ 23,08

Faça a simulação com os seus números na calculadora de margem, colocando o frete no campo "frete pago por você".

Como definir o valor mínimo

  1. Descubra o ticket médio atual dos pedidos da loja.
  2. Defina o mínimo um pouco acima dele, em geral entre 20% e 40% a mais. Se o ticket médio é R$ 70, um mínimo de R$ 89 ou R$ 99 incentiva o cliente a adicionar um item.
  3. Confira se a margem do pedido mínimo paga o frete. Um pedido de R$ 99 com 25% de margem de contribuição deixa cerca de R$ 24,75, suficiente para um frete médio de R$ 18, com sobra.
  4. Ofereça itens de complemento perto do valor que falta, para facilitar chegar ao mínimo. Kits também ajudam.

Regiões e peso

O custo do frete varia muito por região e por peso. Algumas estratégias para não ter surpresas:

  • Frete grátis só para algumas regiões, onde o custo é mais baixo, e frete com desconto para as demais.
  • Limite de peso ou de tamanho para o benefício, excluindo itens muito volumosos. O peso cubado pode tornar alguns produtos caros de enviar mesmo sendo leves.
  • Modalidade mais econômica no frete grátis, com a opção expressa paga à parte.

Como saber se deu certo

Antes de mudar a política, anote por algumas semanas: taxa de conversão, ticket médio, gasto com frete e margem total. Depois da mudança, compare os mesmos números no mesmo intervalo. O objetivo não é vender mais pedidos, e sim ganhar mais no total. Uma política de frete grátis que aumenta as vendas em 15%, mas derruba a margem por pedido pela metade, deixa a loja com menos dinheiro.

Lembre também que mais pedidos aumentam o trabalho na expedição e podem mudar o ponto de equilíbrio da loja.

Regra prática: frete grátis acima de um valor mínimo um pouco maior que o ticket médio costuma ser o melhor equilíbrio. Absorver o frete em tudo só funciona com margens altas.

Felipe Santos
Felipe Santos

Diretor de WMS na Play Full, onde cuida da operação logística de e-commerce: estoque, expedição, envios para fulfillment e integração entre marketplaces, ERP e armazém. Saiba mais · LinkedIn